A atenção é como uma porta de entrada para a aprendizagem: sem ela, nada do que é apresentado chega a ser registrado pelo cérebro. É por meio da atenção que conseguimos selecionar, entre tantos estímulos do dia a dia, aquilo que realmente importa naquele momento.
Existem diferentes formas de prestar atenção. Às vezes, precisamos manter o foco por mais tempo em uma leitura ou numa explicação (atenção sustentada). Em outros momentos, é preciso ignorar distrações para se concentrar em uma conversa em meio ao barulho (atenção seletiva). Também acontece de termos que alternar o foco entre tarefas, como quando preparamos uma refeição e precisamos olhar o forno e o fogão ao mesmo tempo (atenção alternada).
Aqui também é importante lembrar que o nosso cérebro não consegue prestar atenção em duas coisas ao mesmo tempo. O que realmente acontece é uma mudança muito rápida de foco, que cria a sensação de estarmos fazendo várias coisas simultaneamente. Os adolescentes costumam se destacar nesse processo, alternando entre celular, música e conversa, mas ainda assim sempre há perda de qualidade em algum aspecto. E há um detalhe importante: o cérebro fica bom naquilo que mais pratica. Logo, se passamos a maior parte do tempo alternando o foco, ficamos bons justamente em alternar e não em sustentar a atenção por períodos que exigem mais tempo.
Todos os tipos de atenção são importantes para a aprendizagem, mas em cada situação um deles se torna mais necessário. Por exemplo, em uma leitura longa ou em uma explicação detalhada, é a atenção sustentada que garante a compreensão. Já em ambientes com muito barulho, a atenção seletiva é a que permite filtrar distrações e focar no que importa. Reconhecer essa diversidade ajuda a pensar em estratégias para apoiar os estudantes de forma mais eficaz.
Do ponto de vista biológico, a atenção depende de diferentes circuitos cerebrais. O sistema reticular ascendente, no tronco encefálico, nos mantém despertos e vigilantes, condição básica para que possamos aprender. O córtex parietal ajuda a orientar o foco para aquilo que parece mais relevante em cada momento. Já o córtex pré-frontal sustenta a concentração por mais tempo, inibindo distrações e permitindo que a informação se consolide. Esses circuitos explicam por que fatores como sono, motivação e emoções influenciam tanto na nossa capacidade de atenção. Quem nunca percebeu que é mais fácil se concentrar quando está animado ou interessado pelo assunto?
Em sala de aula, isso significa que não basta apenas pedir para os estudantes “prestarem atenção”. É necessário criar condições que favoreçam o foco. Isso pode ser feito de diferentes maneiras: variar os estímulos, combinando fala, imagens, movimento e atividades práticas; reduzir distrações externas, organizando o espaço, estabelecendo combinados para o uso de celulares e cuidando do ambiente sonoro; mobilizar a motivação, conectando os conteúdos ao que faz sentido para os estudantes e propondo desafios instigantes e que despertem a curiosidade; cuidar de fatores biológicos, lembrando que sono, alimentação e pausas são aliados da concentração e investir em práticas de autorregulação, como exercícios de respiração, que ajudam a retomar o foco.
Ao pensar sobre atenção, não falamos apenas de manter os olhos voltados para o professor, mas de mobilizar o interesse e o engajamento do estudante. Isso nos leva a refletir: quais práticas na minha sala de aula ajudam a abrir essa porta de entrada para a aprendizagem e quais, sem perceber, podem estar dificultando?
Referência:
AMARAL, A.L.N.; GUERRA, L. B. Neurociência e Educação: olhando para o futuro da aprendizagem. Brasília: SESI/DN, 2022. 290p.