Um convite para repensar o planejamento à luz do que sabemos sobre como os cérebros aprendem, em diálogo com a escola real.
As aulas estão voltando e o planejamento volta a ocupar um lugar central no trabalho docente. Repensar esse planejamento envolve olhar para como os estudantes participam, acompanham e constroem suas aprendizagens ao longo das aulas. A seguir, compartilho algumas sugestões que podem apoiar esse processo.
- Participar não é apenas falar, por isso, planejar diferentes formas de participação em cada aula, como fala, escuta, escrita, trocas em pequenos grupos e momentos coletivos, amplia as possibilidades de envolvimento. Quando existem mais caminhos de participação, mais estudantes encontram espaço para se engajar.
- Diversificar os instrumentos de acompanhamento, como observações, registros do percurso, produções parciais, autoavaliações e devolutivas orais, permite compreender como o estudante está construindo o aprendizado e evita que a avaliação fique restrita apenas ao momento final.
- Nem toda participação acontece do mesmo jeito, quando o convite é sempre o mesmo, costumam responder sempre os mesmos estudantes. Variar perguntas, tempos e formatos cria mais oportunidades para que diferentes estudantes mostrem como estão aprendendo.
- Explicitar os objetivos e as etapas das atividades ajuda a compreender o que vem primeiro, o que vem depois e por que aquilo está sendo feito. Isso organiza a experiência de aprender, tanto para o estudante quanto para o professor.
- Prever momentos de retomada e síntese ao longo da aula ajuda a revisar ideias, organizar conceitos e compreender a continuidade do que está sendo estudado. Retomar não é repetir, é reorganizar o percurso vivido.
- Conectar o conteúdo à realidade dos estudantes também faz diferença. Utilizar exemplos do cotidiano, notícias, experiências locais e temas da comunidade escolar ajuda os estudantes a compreenderem o que está sendo estudado e a estabelecer relações com o que já conhecem.
- Variar o ritmo da aula é outra dimensão do planejamento. Alternar momentos de escuta, atividade prática, diálogo e pausa ajuda a sustentar a atenção ao longo do tempo e favorece a autorregulação.
- A forma como a sala é organizada interfere na aprendizagem, por isso variar arranjos, como rodas, pequenos grupos ou outras disposições, pode ampliar a participação, o diálogo e o envolvimento dos estudantes.
- Antecipar vocabulários e orientações amplia o acesso. Quando esses elementos são apresentados previamente, mais estudantes conseguem acompanhar a proposta, especialmente em atividades mais complexas.
- As devolutivas ao longo do processo ajudam o estudante a reconhecer o que já realizou, compreender seus avanços e identificar o que pode ser ajustado durante a aprendizagem. Devolutivas frequentes orientam o percurso.
- A convivência também se planeja: construir com a turma combinados claros de convivência e participação ajuda a organizar as interações em sala de aula e favorece a escuta, o respeito e a corresponsabilidade.
- Planejar bons fechamentos de aula desde o início, ajuda a organizar a aula, fazer ajustes ao longo do percurso e construir um encerramento que sintetiza o que foi trabalhado. Boas perguntas de fechamento mobilizam a aprendizagem e preparam o estudante para a continuidade, podendo ser apoiadas por rotinas de pensamento.
Planejar aulas inclusivas é um processo, que envolve decisões intencionais sobre participação, acompanhamento, ritmo, organização do espaço, devolutivas e fechamentos. Pequenos ajustes nessas dimensões podem ampliar o acesso, a participação e o acompanhamento da aprendizagem ao longo das aulas.