Essa é a pergunta central que o autor Daniel Willingham discute no livro que tem exatamente esse título “Por que os alunos não gostam da escola?” e o ponto de partida é muito interessante.
Segundo a ciência cognitiva, o cérebro humano não foi projetado para pensar o tempo todo. Pensar, no sentido de resolver problemas, refletir ou buscar soluções, é um processo que exige esforço, toma tempo e não oferece garantias de sucesso imediato. Por isso, o cérebro evita esse caminho sempre que pode, preferindo recorrer à memória e às respostas automáticas.
Mas há uma contradição interessante nesse processo: mesmo sendo trabalhoso, nós gostamos de pensar, desde que acreditemos que vamos conseguir encontrar a solução. Quando isso acontece, o cérebro se recompensa e temos aquela sensação de prazer ao resolver um problema, compreender algo complexo ou ter aquele “estalo” de entendimento.
Agora, pense no cotidiano da escola.
Se o estudante se depara com desafios difíceis demais, para os quais ele não tem os conhecimentos prévios necessários ou que parecem distantes da sua realidade, o cérebro entende que o esforço não compensa e o resultado é a frustração e o desinteresse.
Por outro lado, atividades fáceis demais também não geram envolvimento, porque não exigem pensar e não oferecem o prazer da descoberta.
Esse é o equilíbrio delicado que o professor precisa planejar: criar situações em que pensar seja possível, acessível e, ao mesmo tempo, valioso.
Para isso, é fundamental: conhecer o que o estudante já sabe; propor desafios reais, mas que possam ser enfrentados; permitir o erro, o teste, o caminho próprio de construção do conhecimento; criar um ambiente seguro, onde a curiosidade possa existir sem medo do erro ou da exposição.
A verdade é que gostamos de pensar quando percebemos que há um caminho possível e o papel da escola é justamente oferecer essas condições.
Por isso, ao nos perguntar por que alguns estudantes não gostam da escola, talvez devêssemos ampliar a reflexão:
Que condições estamos oferecendo para que eles queiram e possam pensar?
Referência: WILLINGHAM, Daniel T. Por que os alunos não gostam da escola?: respostas da ciência cognitiva para tornar a sala de aula mais atrativa e efetiva. 2a edição, São Paulo: Penso, 2022.