Adriessa - Neurociência e Educação

Sem conexão, não há aprendizagem

Para que um novo conhecimento se estabeleça, ele precisa se conectar ao que a pessoa já sabe. Esse ponto de partida é o que chamamos de ativação dos conhecimentos prévios, que são as informações, vivências e experiências que o estudante já carrega.

Mas essa ativação não acontece de forma automática. Muitas vezes, os estudantes entram em contato com um novo conteúdo sem conseguir acessar ou relacionar o que já conhecem. Quando isso acontece, o que aprendem se torna algo solto, desconectado. O estudante até pode memorizar um determinado tópico para uma prova ou para uma atividade pontual, mas, sem relação com o que ele já sabe, esse aprendizado se perde com o tempo.

Por isso, planejar uma aula vai além de apresentar um conteúdo novo. É preciso criar situações que convidem o estudante a acessar o que ele já sabe e relacionar esse repertório ao que está sendo aprendido. Isso pode acontecer, por exemplo, quando propomos perguntas que fazem o estudante pensar, interpretar, aplicar ideias ou, ainda, quando usamos situações reais e familiares para provocar reflexões.

Mas vale lembrar: esse movimento não se resume a perguntas muito diretas ou exercícios repetitivos. Criar condições para que o estudante compare, analise, discuta e interprete o conteúdo amplia as chances de compreensão e retenção do que está sendo aprendido.

Outro cuidado fundamental no planejamento é verificar se os estudantes têm o conhecimento necessário para avançar. Atividades de sondagem ou pequenos diagnósticos iniciais ajudam a entender o que precisa ser retomado ou reforçado, antes de seguir para novos conteúdos. Quando as bases não estão bem estabelecidas ou não conseguem ser acessadas, o aprendizado fica superficial, frágil e com grandes chances de ser esquecido.

Por isso, é necessário abrir espaço para aprofundar, para que o estudante raciocine e consiga construir conexões significativas entre o que já sabe e o que está aprendendo. Um aprendizado bem estabelecido, que faz sentido, se sustenta com mais consistência ao longo do tempo.

Ao planejar uma aula ou atividade, é importante se perguntar:

  • O que quero que meus estudantes saibam ou compreendam ao final?
  • Como vou perceber se esse objetivo foi alcançado?
  • Que situações posso criar para que eles passem mais tempo pensando, relacionando e construindo sentido sobre o que aprendem?

Boas atividades são aquelas que, ao longo do processo, mobilizam o estudante a refletir, usar o conhecimento, comparar, explicar, discutir e interpretar.

É assim que o aprendizado ganha sentido e permanece.

Referência: MARTÍN, Héctor Ruiz. Como aprendemos? Uma abordagem científica da aprendizagem e do ensino. 3. ed. Tradução de Luciana Vellinho Corso e Luciane Alves Schein. Porto Alegre: Penso, 2023. ISBN 978-6559760473.

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